Os "bofes" de grávida e seus milagres

- Olha Clau. Seu maldade no coração, mas, você tá meio cheinha na altura da pança hein?!
- Olha aqui sua lambisgóia, você enfia esse “sem maldade no coração” aonde bem entender e fique bem calada. Mocréia faz lipo e se acha no direito de engordar as outras agora é?
- Credo menina! É verdade, você engordou um pouco, oras. O estranho é que é só na barriga. Tá grávida?
- Bata na madeira e dá três pulo! Sai pra lá jacaré, eu me cuido muito nisso. Tá louca?
Lava, passa creme, corta, enxágua, passa tinta e muitas outras coisa no salão de Maria Claudete, jovem cabeleireira que abriu há dois anos seu estabelecimento naquela vila. Clau, como é conhecida pelas amigas que frequentam sua loja de serviços estéticos, ficou encucada. - Mas e agora, vai que é isso mesmo. Minha menstruação já está atrasada e aquele safado do Paulão não tem usado camisinha. Puto pão duro! “Não vou gastar com borracha nenhuma, sei que você não gosta”. Agora vai ter que gastar com a borracha da mamadeira, com o que tem dentro dela e todo o esquema – pensava Clau enquanto atendia as amigas.
- Olha, sem sacanagem agora. Cê acha mesmo?
- Clau, minha amiga, acha que estou de um sete um? É verdade. Sei não. Pra mim você embuchou.
- Deus me livre e guarde. Não estou grávida nem aqui nem na patavina do norte.
Clau não queria admitir. Já tinha acontecido da menstruação atrasar uma ou duas semanas. Além do mais, quando queria ter filho com o Paulão, tentaram, tentaram e nada da criança vir. Não era agora que apareceria algo logo de supetão.
- Ai gente, acho que não estou me sentindo bem. Deve ter sido tua língua de trapo, Madalena.
Antes mesmo que pudesse se sentar, Clau, que estava lavando a cabeça de Madalena vomitou todo o café da manhã no cabelo da cliente. Esta, por sua vez, levantou-se assustada e xingando até a quarta geração de Clau.
- Puta que o pariu Clau duma figa. E agora? Olha o que você fez! Não acredito que tem até feijão no meu cabelo. Que ráios de café da manhã você anda tomando mulher?
- Olha aqui, a culpa é tua, ok? Eu estava muito bem obrigada. Tinha que vir com essa de “tá gordinha na pança” e tudo mais? Que ódio Madalena, tem coisas que não se faz mulher. Vê é coisa sair por aí engravidando as outras?!
- Mas que despautério Clau. Além de lavar meu cabelo com achocolatado vagabundo ainda quer me culpar? Se não sabe encapar um pinto não me venha com essa! Quer saber, nunca mais, nunca mais!
Madalena saiu cheia de raiva e contando o causo à todas as amigas, que ficaram receosas, mas, não deixaram de se embelezar no salão de Clau. Esta, no dia seguinte chamou Paulão na chincha e foram fazer o exame. Batata! Viria, dalí à sete meses, uma menina.
No chá de bebê da cabeleireira, mesmo sem ser convidada, Madalena apareceu.
- Oi Clau.
- Oi. Quem te chamou?
- Ah! As meninas me disseram que era hoje. Vim me desculpar. Fui dura com você, sabe. Me perdoa, vai amiga.
- Olha aqui lambisgóia, claro que te perdoo. Mas, só se você me disse em qual cabeleireira você anda indo, porque seu cabelo está divino menina.
- Então, você não vai acreditar. Ficou assim depois que você vomitou nele. Que diabos de coisa que você comeu naquele dia Clau?
Clau não se lembrava. Também, fazia meses do ocorrido. Tentando rememorar o que havia comido, lembrou-se era do cheiro da dobradinha da dona Antônia, sua vizinha, e logo botou os bofes pra fora. Justo no sapato novo de Madalena.
- Se avexa não. Vai que me faz bem pra pele dos pés? - disfarçou a amiga.

1 comentários:

leandrão cardoso said...

Cara, a representação da linguagem tá bacana, os diálogos tão bem construídos e o narrador tá no ponto: nem sobram informações, nem faltam.
Mas a história achei fraquinha, não curti. Você já escolheu historinhas e cenas melhores, huauhauhauhuauha.
Talvez o problema seja o final, por repetir o mesmo incidente e a mesma conclusão.

E tem outra, dá uma caprichada na diagramação ao colocar o texto no blog, porra! huauhauhauhauhauhuah
acho que tem uns parágrafos não separados aí...
huahuauhahuauha