Projetar-se

Gritar ao mundo no mundo. Era o que ele queria, na beira de seus trinta anos e nenhuma árvore plantada, nenhum livro escrito e nada dos todos os outros desejos e frases feitas para todos. Queria mais, existir, exercer sua liberdade, escolher. Sair do cubículo e dos afazeres que o prendia todos os dias - de segunda a sábado presencialmente, e no domingo em mente. Projetar! Projetar sua vontade no mundo, sua sombra, suas escolhas. Virar algoz do mundo e o fazer sofrer as consequências de suas escolhas, de sua existência. O ser aí. Queria tanto e não faria nada. O que não percebia, era que, veladamente, projetava sua vontade no mundo, escolhia não escolher, não mudar. Exercia a liberdade ignorando-a, definindo sua amarga existência na mediocridade do comodismo.

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